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sábado, 7 de abril de 2012

Tá russo na Rocinha

A venda de drogas continua, em todas as favelas com ou sem UPP, assim como nas ruas. É mais fácil comprar droga do que pão em qualquer lugar do mundo, e aqui no Rio não seria diferente. São Paulo tem a procissão do crack. No Irã, o tráfico vende uísque 12 anos...

Seja corrompendo PMs ou escondidos deles, os traficantes seguem em seu negócio, o mais lucrativo do mundo há séculos se contabilizarmos também as drogas legalizadas, como tabaco e álcool.

O governador do Rio se vangloria das favelas ocupadas (por critério elitista, diga-se, já que começou na Zona Sul, deixando a Baixada e Niterói no fim da fila).

Nas favelas, agora, em vez de serem tutelados por bandidos armados, os moradores estão espremidos entre os criminosos que não fugiram e os PMs que militarizaram o cotidiano local. Alguns moradores gostam, outros odeiam a atual situação. Aliás, os mesmos que ora gostam, ora não gostam. Por exemplo: o trabalhador fica mais tranquilo ao saber que seu filho corre menos risco de levar uma bala perdida num tiroteio na favela. Mas esse mesmo trabalhador não gosta quando a polícia proíbe o baile ou vem acabar com seu churrasco de fim de semana.

Foi legal o fim  do domínio armado dos bandidos nos morros? Claro que foi. Para mim, então, que pude subir o Dona Marta e o Tabajaras para fotografar, foi ótimo. Mas os investimentos em saneamento, educação e saúde foram tímidos demais para compensar o estado policialesco que se instaurou nas favelas. E há sempre aquela frustração pela omissão histórica do estado, que costuma enviar mais policiais que professores e médicos para as chamadas "comunidades".

Meca da tuberculose brasileira, a Rocinha bate recorde de casos por ter casas tão concentradas que o ar mal circula, o que deixa muito feliz o bacilo de Koch, transmissor da doença. Esse caos urbanístico é ideal também para emboscadas, como a que resultou na morte do PM, o primeiro a tombar em favelas em processo de pacificação. No dia seguinte, houve tiroteio e apedrejamento de policiais.

Na Mangueira, atacaram PMs com granada. No Alemão, o Exército também tem problemas, inclusive com crianças que xingam e atiram pedras.

Ninguém tem mais dúvida de que não se resolve 500 anos de exclusão, deseducação e concentração de renda simplesmente invadindo uma comunidade com tanques de guerra e fincando uma bandeira do Brasil no ponto mais alto. Apesar do ufanismo dos âncoras da TV, o buraco é muito mais embaixo.

Marcelo Migliaccio

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7 comentários:

  1. Falando de Rocinha, o governador tratou de mandar o Nem para bem longe daqui, só porque ele disse que 50% do lucro dele era dividido com a polícia de Sérgio Cabral.
    Quem não deve, não teme governador !!
    Pede para ele dar os nomes desses policiais em uma entrevista coletiva, ao invés de escondê-lo.
    Cury

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  2. Voice tem total razor ,parece que else fazed is so para diner ooh estamos faze do Altima coisa, voices viral nos estamos tents do . ELes nao se preoccupation realmente com os moradores ,ou ate se preoccupation [sei la] ,mas nao da Madeira correctable
    Adorno o seu blog ,voce diz o que Muitas pessoas précisam ouvir
    Ana [16anos]

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  3. Muito bom o texto!

    Marcelo, mudando de assunto, vale a pena vc entrar para o facebook (entrei esta semana) e sentir a emoção em rever as fotos e conversar um pouquinho com a "Turma do Quadrado da Urca" (só pra gente da pracinha). Até vi a foto da Patrícia Lacerda, que vai ser avó! Estamos te esperando! Vai valer a pena!

    Bjs, Denise.

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    1. Oi, Denise, já entrei lá pelo Facebook de amigos, mas acho que o blog já toma tempo demais... bj

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  4. Sem ser repetitivo (mas sendo), escrevo o que ja escrevi em outra oportunidade: Quem realmente acredita que essas UPP's vao ficar por la? Isso eh coisa para Ingles ver!! Vao "fazer bonito" tapando o sol com a peneira ate que acabem as olimpiadas e a copa (se sair...) e depois, corre que o bicho vai voltar e te pegar!
    Investimentos? Alguns poucos, proximo a eleicoes, para garimpar alguns votos de descuidados. Muitos abracos, sorrisos, propaganda, fotos e depois um pe na bunda da rale que so serve para limpar casa de madame.
    Essa dura e triste realidade esta sendo maquiada com produto chines: logo logo vai cair e a rapaziada que teve que tirar uma "ferias forcada" vai voltar. Da uma dor, nao?

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  5. Mauro Pires de Amorim.
    Concordo plenamente com seu magnífico escrito. Só farei um pequeno comentário.
    Apesar do ditado popular do buraco em baixo, mas sem querer ser demasiadamente racional, digo que, buraco em baixo, qualquer um alcança, bastando abaixar-se, ainda que seja para ficar de quatro. No entanto, buraco mais em cima, para ser alcançado, é preciso elevar-se, portanto ter estatura que atinja o buraco em questão.
    De baixo nível, estamos cançados de ver esse mesmo velho roteiro re-editado com novos atores. Precisamos mesmo é elevar o nível, crescer em estatura.
    Felicidades e boas energias.

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