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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cortina de fumaça no futebol

Torcida do Fluminense no Maracanã. Foto de Marcelo Migliaccio
Já fui de torcida organizada, na adolescência, e não acho que devam ser banidas. Os vândalos, que são caso de polícia, vão continuar existindo sem as organizadas.


Nada mais lógico, esperado, porém calhorda.

A emissora de TV que, em 1987, comprou o futebol brasileiro e esvaziou estádios agora está numa cruzada em seus programas esportivos para tentar responsabilizar as torcidas organizadas pela fuga do torcedor. Hoje, um clássico carioca não leva mais de 8 mil pagantes ao estádio, deprimente para quem, como eu, foi a vários jogos com mais de 120 mil pessoas vibrando e torcendo...

Não são as torcidas organizadas que exibem jogos ao vivo para a cidade em que se realizam.

Não são elas que marcam partidas que terminam à meia-noite de um dia útil, pois têm que acontecer depois da novela das nove.

Não são as torcidas organizadas que obrigam os profissionais do esporte a jogarem debaixo de um sol abrasador, com a sensação térmica na arquibancada beirando insuportáveis 50 graus. 

Além disso, a TV, que manda em tudo, não obriga os clubes e federações a diminuírem o preço das entradas para os jogos, já que isso torna um pacote de pay per view muito mais compensador do que ir ao estádio.

Muitos craques que estavam no exterior voltaram aos times brasileiros, mas as arquibancadas continuam vazias. É muito mais cômodo e barato ver os jogos em casa ou num bar.

De que vai adiantar banir as torcidas organizadas? Os vândalos, os pitboys, não vão desaparecer da face da Terra. Vão continuar indo aos jogos como sempre foram e arrumando as confusões que tiverem que arrumar. Eles sempre existiram no Brasil, existem em qualquer país, como a Espanha, a Inglaterra, a Itália, onde os estádios estão sempre cheios. Agora, no entanto, os brucutus estão mais excitados do que nunca para imitar o que veem seus ídolos do Vale-tudo fazerem com a cara dos adversários.

Para baderneiros e agressores covardes, existe polícia e Justiça.

Mas para o futebol voltar a ser um esporte que leva multidões aos estádios, como foi até a década de 80, a TV tem que recolher seus tentáculos. 

2 comentários:

  1. Mauro Pires de Amorim.
    Concordo plenamente contigo. Os meios de comunicação são um veículo demasiadamente importante em qualquer sociedade.
    Aí é que começa o jogo de interesses, manipulaçõs e claro, os valores atribuídos a cada um, bem como os auto-referenciais.
    Em sociedades estagnadas como a nossa, onde os conceitos do passado são comodamente conservados e mantidos, apesar de toda estamparia maqueteira e publicitária que é feita da modernidade, de iniciativas pioneiras e modernizadoras, sendo tais fatores nitidamente percebidos.
    Os clubes europeus não possuem somente os valores dos ingressos, das publicidades e de patrocinadores para negociarem. Lá na europa, eles são geridos como empresas, tendo quase todos eles, ações e títulos em mercados de valores, angariando com isso sócios em vários níveis de participação acionária, direitos e deveres. Possuíndo obviamente, assim como qualquer empresa operadora em mercados acionários e de valores, a obrigação de prestarem mais abertamente sua real situação financeira e contábil. De modo a conseguirem o aval lastreador para colocarem seus títulos participativos a venda, sob o risco de desmoralizarem e mancharem a credibilidade do mercado autorizador e avalista em que operam com seus títulos e caso isso ocorra, o efeito será grave e terá consequências éticas, econômicas, administrativas e jurídicas sérias. Com isso, amplia-se o fórum de debates em torno das posições tomadas em função da estratégia de investimento feita por cada grupo nos clubes.
    Felicidades e boas energias.

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  2. Mauro Pires de Amorim.
    Prezado Marcelo, sem querer me alongar em meu comentário anterior e como sei que você é um sujeito inteligente, perspicaz, entenderá que quando falei dos clubes serem administrados como empresas, levei em conta a dimensão do negócio-fim deles, que é o esporte e o lazer, seja qual for, não apenas o futebol. No nível em que for, profissional, semi-profissional e aprendiz, das divisões de base. Acabando com os mimos e favorecimentos que tanto comumente assistimos no meio esportivo do futebol, permeando e estimulando também os outros esportes oferecidos pelos clubes.
    Por essa razão, muitos profissionais do futebol brasileiro não se adaptam quando vão atuar no estrangeiro, seja na Europa, na Ásia ou na América do Norte e acabam voltando para cá, depois de serem "limados" por lá, justamente em função da cobrança de assiduidade e do cumprimento do cronograma de atividades, como seria em qualquer empresa do mundo em relação aos seus funcionários, recebam o salário que receberem.
    Outro fator, seria o fato de que nas assembléias dos clubes esportivos, o peso e a cobrança partiria por parte dos sócios-investidores, segundo o direito de voto e participação acionária. Mudando o foco dos protestos dos simples torcedores pessoas físicas, para esses "torcedores" pesos-pesados, pessoas jurídicas. Aí a "briga" pode ficar realmente muito feia! Ajudando a acabar com essa cultura de torcedores "hooligans", arraceiros, baderneiros e depredadores de cabeça quente.
    Mais uma vez e sempre, felicidades e boas energias de um rubro-negro, ex-atleta, imperfeito, mas sincero.

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