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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cinema é a (segunda) maior diversão

Andar de ônibus no Egito, e aqui também, pode ser uma provação para uma mulher


O bonequinho não entende patavinas de cinema. Dorme em filmes ótimos e aplaude de pé peliculas intragáveis. Como não quer perder a boquinha, ele se preocupa em saber quem produz o filme antes de entrar no cinema. Se é seu patrão,  a sessão mal começa e ele já está quase subindo na cadeira de tanto entusiasmo. Por isso desisti de ler críticas há tempos.

Já a revista que pensa que o leitor é cego é tão pretensiosa que não publica apenas a sinopse da história. Conta o filme inteiro e ainda por cima com opiniões do crítico. Ou seja, ela é irremediávelmente viciada em fazer a cabeça alheia. Cabeça dos cabeças-de-vento, claro.

Vi alguns filmes em cartaz atualmente  _ além do ótimo documentário sobre Raul Seixas _ e, se interessa a alguém, aqui vai minha modesta e obsoleta opinião.


A vida dos peixes - Fazer um filme todo em plano fechado, passado no interior de uma casa, durante uma festa de aniversário é muita coragem. Mas o diretor conseguiu com méritos.

Jovens adultos - Charlize Theron, que entrou para a História com seu desempenho em Monster, dá outro show nesse filme, que escapou por pouco de ser chato graças à sua atuação é à do ator que interpreta seu amigo gordinho, justamente bem recompensado no final...

A bailarina e o Ladrão - O excelente Ricardo Darín fica como coadjuvante nessa história muito bem filmada. Quem rouba a cena é o jovem e entusiasmado ladrão, que, como Chaplin, mostra que nem sempre roubar é feio, pelo menos no cinema.

Adorável Pivellina - Bom para quem tem saudade do bom e velho cinema italiano. Sempre sensível e convincente, é uma terna diversão. A criança até hoje não deve saber que estava sendo filmada, o que tornou tudo muito natural. Às vezes até demais, como na primeira cena, em que ela é abandonada pela mãe numa praça.

Perseguição - Não perca seu tempo com essa forçação de barra cheia de lugares comuns.

Xingu - Uma decepção. Resumiram demais a fantástica história dos irmãos Villas Boas. Os atores são bons, direção, fotografia, produção etc, mas o resultado é um insosso pastel de vento.


Cairo 678 - Esse, pra mim, é o grande filme do momento. Realista, mostra a primeira mulher a denunciar assédio sexual no Egito, em 2009 (não 1909, 2009 mesmo). Não há uma interpretação sequer mediana. Nada fora do lugar, crítica social que deve ter deixado os diplomatas egípcios pelo mundo de cabelo em pé. O machismo é tão enraizado que até os namorados e maridos das vítimas têm dificuldade em tomar partido e defende-las. Sinceramente, não sei como o diretor, Mohamed Diab, ainda está solto. O costume de alguns homens de bolinar as mulheres nos ônibus cheios me fez lembrar o que ouvi de passageiras dos trens da Supervia  e da Linha 2 do metrô no Rio...

4 comentários:

  1. Realmente o Cairo 678 é excelente e estamos conformes. Imperdível, necessário e obrigatório, para quem quer conhecer a vida como ela é , com as especificidades de cada país (nem melhores, nem piores, apenas diferentes como tudo na vida).Aos novelescos e excessivamente românticos-nada contra eles-, uma advertência: passem batidos, ok?? Não há espaço para devaneio e fantasia, ainda bem! e nem é a proposta.É filme denúncia.

    Pessoa séria me disse, tendo em vista a evidente infantilização da sociedade, que o povo gosta e pensa que o mundo é o show da Xuxa, que evidentemente, jamais assisti, também por absoluta falta de tempo pra tv.

    Tomando por base o metrô que conheço bem... e por razões similares às egípcias, no que tange ao furor testosterônico machista kkkk , não tenho dúvida, embora não conheça, de que nos trens da Supervia não e tão diferente.

    Mesmo sem ter egípcios com limão no bolso kkk, o metrô, por razões parecidíssimas,teve de separar um carro exclusivo para mulheres. Sob este aspecto, parece que não somos mais "modernos" do que eles. Será que está faltando mulher ou ... elas não estão dando conta do recado? Lógico que é só uma brinacadeira de mau gosto, e desculpas antecipadas.

    Senti falta, nesta lista, do excepcional e recomendadíssimo AS NEVES DO KILIMANJARO. Deentre outros aspectos relevantes e emocionais, além do talento transbordante dos atores, a questão central é a econômica, nestes medíocres e cínicos tempos neoliberais.

    Considero este, o filme do ano, quiçá, da década. Porém, nada indicado para quem não sabe, racional e emocionalmente, o que é altruísmo. Os egóicos darvinistas competidores neoliberais...muito provavelmente não se envolverão, claaaaaaaro!.Comovi-me em demasia e saí de alma lavada e louvada. Posso garantir: quem conhece, sente e pratica o altruísmo sintirá , basicamente, emoções similares.
    Abraço
    Marcos Lúcio

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  2. Nunca dei atencao a critica pois considero isso tal qual a pontuacao que "experts" dao para vinhos.
    No caso do vinho, compro, provo, espero o dia seguinte e a MINHA opiniao eh a que conta. Para mim, o vinho eh otimo, muito bom, bom, aceitavel, ruim, pessimo e a minha opiniao difere da pontuacao dos entendidos no assunto ou seja, cago e ando para eles!
    Em relacao a filmes, vou ver por varios motivos e, entre esses varios motivos, nunca inclui a critica. Essa, faco eu!
    Ariel, o filmologo e o vinologo (acho enologo muito besta)

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  3. Parabens a vcs pela pertinencia e coragem de exporem suas ideias, valeu. O Brasil ta mesmo precisando disso TORELLY

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  4. Estou de volta aos comentários, Anotei o nome dos filmes.
    Também li o excelente texto: VICIADOS EM SUCESSO,e parabéns pelo conteúdo do texto.
    Sergio.

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