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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Os diplomatas do Congo

Primeiro, o Alemão. No episódio da madrugada de domingo, quando o Exército acabou com uma festa à força, faltou a versão do comando. Segundo o major Bouças, os moradores se recusaram a diminuir o volume do som e atacaram os soldados com pedras. Acredito. Há muita relutância de uma parte da comunidade de viver sob o império das leis. Incomodar o sono dos vizinhos com música alta era comum nos tempos de domínio dos traficantes.

A maioria dos moradores em qualquer comunidade aprova a ocupação policial, isso é fato. Qual mãe quer ver seu filho pequeno no meio do fogo cruzado? Quem gosta de viver com marginais armados vendendo e usando drogas na porta de casa?

Se a polícia será violenta e arbitrária com os moradores ou se virão os investimentos sociais necessários, aí já é outra questão.

Um morador da favela da Maré me contou dois episódios que mostram o horror que é viver sob a ditadura da bandidagem. Certo dia, um olheiro do tráfico foi flagrado dormindo em serviço. E um cochilo do olheiro pode significar sono eterno para seus comparsas da quadrilha. Como corretivo, o chefe do tráfico mandou darem nele um jato de mangueira de bombeiro, além de uma sonora surra.

Menos sorte teve um usuário de drogas que, na mesma favela, fez o seguinte comentário na boca de fumo, enquanto examinava e dava petelecos no seu saquinho de cocaína:

_ É... no tempo da outra facção a porção era mais bem servida...

Sua condenação à morte foi imediata. Morreu de uma maneira horrível que nem vou contar para não embrulhar seu estômago.

Ontem, foi preso o Nem da Rocinha. Domingo, a favela será dominada pelas forças de segurança. O chefão que movimenta R$ 10 milhões por semana, segundo a polícia, estava na mala de um carro diplomático. Os ocupantes disseram ser do Congo, mas não colou e, para piorar a situação, a PM recusou o suborno.

Agora, Nem vai ser guardado numa dessas caixas fortes de Rondônia. As drogas serão vendidas em outra freguesia, por outras pessoas. A demanda só cresce e de nada adianta prender o Nem se o Coringa, o Chadada, o Pinguim e a Mulher Gato continuam soltos...

Mas fechar o hipermercado de drogas da Rocinha vai ser bom para os moradores. Finalmente, aquele lugar vai virar um bairro.

Só que eu vou logo avisando: vão ter que abaixar o som.

A Rocinha vista da Lagoa Rodrigo de Freitas

4 comentários:

  1. Pôxa Marcelo,realmente tá difícil controlar a bandidagem no Rio de Janeiro. Enquanto a polícia prende um,outros dez ficam soltos,é a velha história do "enxugar gelo". Ah,antes que eu esqueça outra vez; O sistema está ótimo agora,com apenas um clique,e o comentário já entra. Boa noite.

    Monica.

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  2. Oi, Marcelo, sou o Salito, do Ainda Espantado. Sabe, moço, hoje folheei o JB, dei com uma víbora covarde por lá, um tal de Claudio Humberto, peço a Deus que não seja seu amigo. Tanta desgraça tenta espalhar, traiçoeiro, maldoso, que se fosse comigo iríamos morrer, ele e eu, ele de tiro, eu tomando chope alhures. Senti falta de ti por lá, um moço de boa palavra, inteligente, vivido para mais da idade. Que coisa, tchê, o jornal Online vai acabar logo, pressenti. Que vá.
    Abraço, teu blog está bom demais.
    Sal

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  3. Valeu, Salito, eu não tenho relação com o referido colunista, nào. Abração

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