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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A noite de domingo

Neste último domingo, a TV ficou ligada depois do futebol... foi sem querer querendo, eu juro!

Toda vez que assisto à programação das emissoras abertas tenho calafrios. A televisão é a maior educadora do Brasil, então é fácil entender por que as coisas estão desse jeito, por que as pessoas são como são. Com uma professora dessas...

Primeiro foi o Faustão, com a sua tradicional rasgação de seda. Todo mundo que vai lá é um "ser humano fantástico"... desta vez foi o Neymar, craque da bola transformado pelo apresentador num aspirante a madre Teresa de Calcutá ou Tiradentes.

Preferi mudar para as besteiras do Milton Neves, que entende muito de merchandising e pouco de futebol.

Não aguentei o Edmundo Animal, que escapou da prisão como escapava dos zagueiros, fazendo comentários pseudoequilibrados sobre o Campeonato Brasileiro.

Mais troca de canal e caio no Fantástico. Sempre de roupa nova mas com aquele recheio velho. Doenças, crimes, celebridades, gols... a mesma receita requentada dos anos 70. Neste domingo, o "show da vida" até foi, digamos, ousado, exibindo uma reportagem sobre obesidade na infância. Míseros três ou quatro minutos, claro, porque, nos intervalos dos programas infantis da emissora sobram anúncios de fast food, doces e daqueles salgadinhos abomináveis. Então o conveniente foi abordar o tema quase correndo, só para não dizer que não falaram dessa epidemia de crianças balofas que assola o Brasil. Mas, ao lado dos pais ignorantes e omissos, a propaganda é um dos principais agentes dessa aberração infantil.

Para a obesidade, o programa dedicou pouco tempo, mas para demonizar o cigarro, que não pode mais anunciar nos intervalos, a atração dominical da TV Biscoito programou uma longa série, conduzida pelo doutor Drauzio Varela. O cigarro agora é vilão, mas não era até a publicidade ser abolida da TV por lei. Antes, era só glamour nos anúncios e nas novelas...

Será que os princípios editoriais das Organizações Biscoito de Praia falam nisso?

Por que não fazem uma série sobre a influência da propaganda de álcool na iniciação cada vez mais precoce dos jovens no hábito de beber?

Achei melhor mudar de canal.

A Band passava filme, uma boa saída para quem quer economizar; a Rede TV! atacava de Pânico, programa humorístico que há muito tempo já ficou chato e repetitivo; a Record tentava imitar o Fantástico, mas acaba apelando para perseguições policiais que nos fazem lembrar do Datena em pleno domingo. E o SBT continua com o indefectível Programa Silvio Santos, que agora nos leva de volta aos anos 70 em alta definição.

Tento a TV paga, mas o Cartoon Network me faz duvidar do futuro. No intervalo do chatíssimo filme do Scooby Do, uma inundação de propagandas dirigidas ao público infantil.Muitos bonecos de guerra, Mc Donald's, biscoito de chocolate transgênico. Quase seis minutos de anúncios nas cabecinhas em formação.

Comprem! Comprem! Comprem, crianças, sejam iguaizinhos aos seus pais!!!! Sejam também violentos, sexistas e elitistas, afinal o show do capitalismo selvagem tem que continuar e precisa de novos atores!!!!

Tem gente que diz que eu superdimensiono a influência da TV. Mas quanto custa um anúncio de 30 segundos? Se não fosse eficaz, não pagariam tanto pelo tempo ali. E, do outro lado do tubo de imagem, há milhões de pais sem tempo, saco, bom senso ou cultura para orientar seus filhos e uma educação pública que deixa muito a desejar.

Mais uma vez, meto o dedo no controle remoto e volto à TV Biscoito, onde uma apresentadora manda um bando de idiotas comerem baratas e larvras num reality show que faz da tortura uma ótima opção de lazer para telespectadores sádicos e bossais.

Descrente de tudo, desligo a TV e vou dormir.

Boa noite!

5 comentários:

  1. Taí, Marcelo, identifiquei o que me faz gostar tanto do teu blog. Tenho a mesma inconformidade com o "way of life" que nos envolve, que tem acabada expressão nos meios de comunicação, notadamente a do Biscoito de praia, como dizes . Tenho esperança de que esse modelo mude um dia. Mas não nutro ilusões: a humanidade é insensata e só mudará no curso de muito sofrimento. Carlos Marques

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  2. Já faz tempo que prefiro o computador à tv.
    Tirando diskovery channel e alguns do gênero, o resto não vale a pena e os canais infantis com a proximidade do dia das crianças estão enfiando propaganda de brinquedo nos pequenos. minha filha de seis anos tem um bau transbordando de brinquedos. porem tá sempre pedindo o da propaganda.

    Sergio.

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  3. Prezado M.M....faço minhas as palavras, sempre lúcidas, de uma das personalidades(bem diferente de celebridades televisivas- e tv não assisto, graças a Deus!!!) mais significativas da vida brasileira, além da sua fulgurante inteligência. Refiro-me ao brilhante psicanalista,escritor e intelectual Hélio Pellegrino(que Deus o tenha!), que tanta falta faz nestes tempos de mediocridades neoliberais. Certamente ele colocaria os pingos nos is e jotas ou daria nome aos inúmeros bois tontos da "multidão boida caminhando a esmo" e em busca do sucesso rastaquera,vazio, pois ele era uma das mais especiais rezes desgarradas , neste Patropi.Ele era, mesmo, a Vaca Profana do Caetano,(música excepcional na voz da idem... Gal) que coloca os chifres para fora e acima da manada.Sobre a famigerada, vagabunda, alienante, vulgar ou mal exemplar programção televisiva aberta,(pelo que me contam ou leio ou quando sou obrigado a ver:restaurante, bares,etc...) ele dizia coisas sensatíssimas, tais como: "A televisão é coisa__ e casa__de doidos. Ela tem pressa, cada vez mais pressa, pois precisa criar__ e acelerar __ a vertigem do mundo, da qual tem o governo. Hoje em dia, acontecimentos só se apresentam como fatos, metabolizáveis pela grande comunidade, na medida em que sejam transformados em imagem no vídeo". Escreveu isto em 1986. Se vivo estivesse, ele teria um AVC, no mínimo, se ligasse a absurda ou ridícula rainha do lar (dizem que há exceções, claro, elas sempre existem, menos na questão da morte: ninguém dela escapa, mais cedo ou tarde). Acredito que citei morte por ato falho, pois considero a tv...coisa de matar rsrs...
    Marcos Lúcio

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  4. Caro Migliaccio,
    Você gosta de ser torturado?
    Assistir TV aos domingos, é tortura!
    Embora, nos dias de semana ela também, é repugnante...
    TV brasileira, que tristeza...
    Um forte abraço!!!

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  5. essa foi boa marcelo, eu vi o maluco comendo barata, putz! ridiculo, e as aspirantes a revista masculina com a malhação em dia e o cerebro vazio abraço

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