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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Aqui, tudo fica por isso mesmo

Sabe aqueles filmes de faroeste? É, aqueles em que uma gangue de facínoras aterroriza um povoado até que um xerife macho pacas chega e acaba com a bagunça? Pois não sou daqueles que vê esse tipo de filme como retrato de um passado distante, época em que não existia lei e tudo era resolvido na bala.

Acho que ainda vivemos exatamente como nas películas de John Wayne sobre o velho oeste americano. Ou você acredita que existe justiça e que a lei é respeitada?

Tudo aqui, em pleno século 21, ainda é resolvido na bala.

Veja a tocaia para matar a juíza em São Gonçalo. E, depois da barbárie, um alto oficial da PM ainda intercedeu pelos colegas presos por passar fogo na magistrada. O crime dela? Ousou punir milicianos.

Vivemos no país onde se mata e fica por isso mesmo.

Agora, o deputado Marcelo Freixo (Psol), está sendo obrigado a sair do Brasil com a família, pois várias milícias colocaram sua cabeça a prêmio.

_ É velho oeste ou não é, auditóriooooo!? _ perguntaria o Silvio Santos.

Freixo, em quem votei para que se reelegesse no último pleito, também ousou presidir uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio que investigou o modo de agir e identificou integrantes das milícias fluminenses.

Como reconhecimento por seu trabalho, teve que passar a andar com seguranças 24 horas por dia e a aturar ameaças a sua integridade física e as de seus parentes. A coisa foi ficando tão feia para o lado dele que, nesta terça-feira, amparado pela Anistia Internacional, Freixo e família viajam para país não divulgado sem previsão de retorno.

A impunidade é o câncer do Brasil. Os jovens de hoje não querem mais saber de estudar porque vêem que aqui é o crime que compensa. Não cresceram com a ideia de que fazer as coisas certas leva a bons resultados. Isso não está no subconsciente da juventude. Os noticiários lhes mostram, desde cedo, que quanto mais se rouba, mais seguro se fica. E que quem quer remar contra a correnteza, como a juíza e esse deputado, acabam tendo que fugir para escapar dos pistoleiros, categoria profissional que virou uma autêntica instituição nacional.

Mataram Chico Mendes, mataram a freira Dorothy Stang, mataram tanta gente, e ficou por isso mesmo.

Então, só nos resta fazer um último apelo:

_ John Wayne, venha logo!

Se o capitão Nascimento não deu jeito, quem sabe esse cabra aí dá...

10 comentários:

  1. É, Marcelo, é mais que lamentável que o Freixo tenha que ir embora. Também votei nele. E o que será do Brasil, se os corajosos bem-intencionados têm que fugir pra não serem mortos? Parece até coisa de ditadura. Pode-se dizer que, hoje, o Brasil ainda vive a ditadura, só que ela mudou de mãos. O que será do futuro deste país?

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  2. Sargento Emerson. São pedro da aldeia-RJ31 de outubro de 2011 20:27

    é marcelo menos absurdo que o freixo fugir com a família para não ser morto... foi aquele peladão do centro do rio será que aquele cara estava esperando alguém pra um encontro naturista...

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  3. Acho que não, sargento, tava doidão mesmo...

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  4. Marcelo,nós não vivemos em uma terra sem lei,aliás temos leis até demais. Quem nos dera que todas fossem cumpridas.Mas só que cada lei tem um monte de brechas,a tal da fiança é uma delas. Neguinho tem dinheiro,paga uma boa fiança,e fica tudo resolvido. Aí me vem aquela sensação de impotencia,junto com desamparo e sei lá mais o que... Boa noite.

    Monica.

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  5. Estamos em plena colheita, senhores. Sim... Colheita! A população plantou tanta indiferença, falta de educação, conivência com a bandidagem apoiando até pseudo-movimentos culturais como o funk (deu moral pra bandido, agora atura!), que acobertava movimentos de tráfico e prostituição - como tentou informar o falecido Tim Lopes - e mesmo com a soberba típica de quem bate no peito ao dizer que mora na Cidade Maravilhosa mas não faz nada pra ajudar ela a voltar de fato ser digna do apelido, que agora estamos colhendo o que plantamos.

    A malandragem carioca, a malemolência do carnaval e o fenomenal porre do futebol formam a cortina de fumaça, cultuada ano após ano e que oculta as mazelas que expurgam a bueiros abertos (perdão pelo trocadilho de mau gosto).

    Ninguém nunca se interessou em saber em quem e por que votava em políticos infantilizados no nome e velhacos no hábito, pouca gente quer saber por que um projeto de segurança pública como as UPPs não é acompanhada por um projeto social decente e eficiente... Acorda, povo, pois a omissão é tão perigosa quanto a conivência...

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  6. Mauro Pires de Amorim.
    As milícias são formadas em sua maioria por policiais e militares, da ativa e da reserva, que aliás, trabalham também para a máfia brasileira, os Banqueiros do Jogo do Bicho. Essa ligação estreita entre o crime, polícia e militares teve crescimento nos períodos ditatoriais que vivemos, o Estado Novo e a Ditadura Militar de 1964, quando era muito usual a formação de grupos pára-militares para a realização de atos criminosos, contando sempre com a cobertura e simpatia de autoridades nesse período, sob pretexto de luta ideológica. Ainda no período dos governos militares de 1964, houve também intensa associação e acobertamento da polícia e militares com a máfia brasileira, os Banqueiros do Jogo do Bicho, tanto é que os negócios dos bicheiros diversificaram e prosperaram nesse período, continuando assim até hoje, ocorrendo essa prática até os dias atuais. Com um histórico desse, o que esperar de certos policiais e militares que não seja o mercenarismo e banditismo sob a proteção dos cargos e patentes que ocupam no Estado. Como disse o personagem do Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite II - Agora o Inimigo é Outro, que trata da corrupção e formação de milícias, inclusive com o envolvimento de políticos. "A PM do Estado do Rio de Janeiro tem que acabar."
    Felicidades e boas energias.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Nem o John Wayne,nem o Clint Eastwood darão jeito simplesmente porque no tempo em que seus filmes eram ambientados,não haviam fianças nem habeas corpus pra soltar bandido,nem imprensa conivente afirmando que "houve excesso de força","houve execução",portanto,aqueles caubóis tinham liberdade pra fazer o que era necessário. Hoje o John Wayne e o Clint Eastwood seriam alvo da fúria das comissões de direitos humanos. A consequência tá aí: A bandidagem ficou com moral e agora mata até quem não reage. Por essas e outras é que o Cap. Nascimento pediu o boné,e não foi por falta de competência...

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  9. Nem fudendo!

    John Wayne

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  10. Marcelo, Mauro e demais participantes,
    A História recente é capciosa, antes da tropa, existiu a guerra particular. Não podemos ignorar que a enésima geração sem educação de berço cultiva a desigualdade tanto quanto qualquer capitalista, na base da 'farinha pouca, meu pirão primeiro', 'o negócio é levar vantagem'. Para reverter esse quadro da herança maldita do Condor, que deixou nossas veias abertas, temos que educar as meninas, que vão prover a educação que mais a sociedade precisa, de berço. A educação pública é tema de ditados gregos, "eduquem as crianças, não será necessário castigar os adultos". A solução não passa por segurança pública, mas pela educação, a segurança pública será uma consequência, a Coréia já mostrou como fazer, até a inVeja já destacou isso.
    A PF precisa abrir a caixa de pandora carioca, cortar o mal pela raiz, em operações que devem não invadir morros, mas invadir tribunais, gabinetes, palácios. O inimigo não é uma pessoa, é uma persona, que esconde instituições, associações, e seus membros.

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