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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Outra versão para a "guerra no Alemão"

Esse texto foi extraído do site da ANF (Agência de Notícias das Favelas), organização não governamental que se dedica a veicular informações sobre o que se passa dentro das comunidades do Rio.

Por Patrick Granja (http://www.anf.org.br/)

No final da tarde de ontem, dia 6 de setembro, nossa reportagem foi ao Complexo do Alemão ouvir os relatos de moradores vítimas da violenta ação do exército na noite de domingo. No momento em que faziamos uma entrevista, moradores alertavam uns aos outros que o exército estaria subindo o Complexo para levar a cabo um toque de recolher. Nossa reportagem ficou horas escondida na laje de uma casa no alto da favela de onde era possível assistir aos tiros de munição traçante disparados para o alto pelas tropas. Os disparos foram feitos durante horas e sempre partiam de localidades onde existem quartéis do exército.

Quando nossa equipe deixou a favela, repórteres do monopólio dos meios de comunicação e militares diziam que os tiros se travam de um suposto confronto com traficantes. Contudo, durante as sete horas em que permaneceu na favela, nenhum traficante foi visto por nossa reportagem, a única dentro do Complexo no momento dos disparos. Durante as sete horas em que nossa equipe esteve no local, trabalhadores mostraram-se revoltados com a militariazação e dispostos a lutar contra os desmandos do exército. Focos de protestos podiam ser vistos na Nova Brasília, na Fazendinha e na Grota. Nas ruas, moradores começavam a sair de casa e comentar a ação dos militares que, segundo rumores, deixou mortos um senhor de idade e uma menina que voltava da escola.

Trecho de outro texto do mesmo site:

Por Rafael Huguenin

Para esconder do povo a falência de sua política de segurança, falidas já a saúde, educação e transporte, o governo do Estado do Rio de Janeiro, aliado a setores irresponsáveis da imprensa, coloca em prática o que podemos interpretar como uma verdadeira campanha de contrainformação.

Qual seria a finalidade desta campanha? Retirar a legitimidade das inúmeras manifestações que se multiplicam nas favelas submetidas à ocupação militar, ocultando assim aos olhos do restante da população não apenas a falência completa de sua política de segurança, mas um barril de pólvora prestes a explodir. Exemplos da insatisfação popular foram largamente noticiados nas últimas semanas. Antes dos conflitos entre moradores e tropas do exército brasileiro registrados neste início de Setembro de 2011, ocorreram anteriormente incidentes semelhantes no Turano, no Pavão Pavãozinho, no Cantagalo e até mesmo no Santa Marta, primeira comunidade a ser militarizada.

Em todos estes casos apontados acima, os incidentes não se relacionam propriamente com confrontos com bandidos, que devem ser combatidos com inteligência e rigor, mas com a insistência em impor à população favelada procedimentos, regras e padrões militares de comportamento, submetendo assim aos critérios e à hierarquia da caserna a dimensão política e cultural do povo, seus mais caros bens. Se considerarmos estes incidentes a partir de uma perspectiva política mais ampla, veremos que eles representam partes de uma ampla tentativa de exercer o controle completo da mão de obra e do comportamento político dos trabalhadores favelados, fazendo assim com que os efeitos da luta de classes sejam restritos apenas a territórios ocupados por tropas de guerra.

8 comentários:

  1. Não acredito nesta reportagem. Aliás,não acredito em ONGs.A maioria das ONGs viven de maracutaia para extrair dinheiro dos governos.(nosso)

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  2. É outra 'utilidade' da guerra às drogas: se algo sair fora do planejado, coloca-se a culpa nos traficantes. Se povo oprimido gritar, se lhe derem voz, culpa-se o tráfico.

    430.000 mortes por nicotina; 85.000 mortes por efeito do álcool e 12.000 mortes de over por ilícitas. Anualmente nos EUA.

    LEAP - organização favorável ao fim da guerra às drogas, composta por policiais, magistrados, promotores etc

    http://www.youtube.com/watch?v=zzjBG8W2CNY

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  3. " Não, não é. O Exército não tem função constitucional de polícia. São meninos que têm idade para ser meus filhos. Conversei com eles, eles estão com medo. São meninos e estão com medo de estar lá. São garotos de 18 e 19 anos, completamente despreparados para aquela função."

    Marcelo Freixo

    http://www.marcelofreixo.com.br/site/noticias_do.php?codigo=402

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  4. Oi Marcelo,passei só para lhe dá um beijo,pois perdí a tesão de falar qq coisa sôbre essa história,acredito que a sociedade tanto quanto eu,está confusa e decepcionada...

    Monica.

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  5. As UPP's nasceram com uma data para morrer: ao termino das atividades programadas (olimpiadas/copa do mundo) ou alguem REALMENTE acredita que o governo vai continuar mantendo um aparato como vemos hoje para sempre? Algumas "comunidades" (nome politicamente correto) ja foram "pacificadas" (expressao falsa mas de efeito) e eu pergunto: onde estao os traficantes, a milicia, os bandidos? Em qual DP? Em qual presidio? Todos sabemos a resposta: fugiram de um lugar e seguem livres em outro, aguardando o momento para retornar. E isso ira ocorrer tao logo terminem os eventos e o governo retire a policia das comunidades. Quem viver, vera!
    Com relacao ao ocorrido, prefiro a versao oficial.

    Ariel Galvao

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  6. Disse Beltrame,n'O Globo:"- Eu tenho sido bastante enfático ao dizer que,após 30,40 anos de abandono de algumas áreas e total domínio do tráfico,ninguém vai resolver isso a curto prazo.Nós abrimos uma janela para que os serviços públicos e a própria sociedade cumpram o seu papel nessas comunidades." É fato,são anos de omissões,inclusive dos Governos Federais.Mais que isto,escondeu: "está servindo de justificativa para a pirotecnia ineficaz e politiqueira do atual governo."
    Acabem-se com as farças(sic)e hipocrisias!
    O tráfico Rende,Emprega,Move Verbas,Impostos,PROPINAS!
    O tráfico ELEGE!
    O tráfico abastece com drogas:Políticos,Médicos,Militares,Magistrados,Homens de Negócio,Policiais,Professores,Padres,Pastores,Artistas,Religiosos e Ateus e,no Varejo,POBRES e Favelados...
    ...Havendo produto,aparece o comprador/consumidor(lei da oferta e procura).O resto é propaganda.
    Quem são os Barões?
    "Pra quem sabe ler, um pingo basta" (William Blak)

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  7. Querido Marcelo,

    Sobre Favelas e Estados autoritários, fico com Orson Welles.

    Confere aí:

    www.aovinagrete.blogspot.com

    Bração de sempre

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  8. "...A nossa comissão {de política de drogas da ONU} descobriu que em países nos quais a dependência de drogas foi descriminalizada e passou a ser considerada um problema de saúde pública, houve redução da criminalidade e do número de viciados..."

    Richard Branson - New York Times

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