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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Games violentos, crianças violentas

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou uma lei da Califórnia que pretendia proibir a venda de games violentos para crianças. Para sete dos nove juízes, a tal lei limitaria o primeiro artigo da Constituição americana, que dá liberade a qualquer cidadão para comprar um jogo desses para o seu pimpolho. Segundo os magistrados, há pais que não veem nisso um problema. E como há!

Liberdade acima de tudo! Esse é o grito uníssono nas Américas (tirando Cuba, Venezuela, Bolívia e, agora, o Peru). A liberdade do Tio Sam e de seus seguidores liberais pelo mundo, claro, é para quem tem grana. Pois para quem não tem, tudo é proibido, não só os games violentos. O leite, a educação, a saúde, o saneamento...

Não vou discutir aqui as leis dos Estados Unidos. Vou apenas dizer o que vejo por aí: crianças vidradas nesses jogos brutais.

Vejo adolescentes e pré-adolescentes que não saem da frente do computador. Jogam, lutam e atiram como ninguém. Futebol, tênis, MMA, vale tudo, fuzil AR-15, adaga, punhal. Manejam tudo, correm, saltam, fuzilam. Sempre sentados e sedentários no quarto-solitária.

Alguns desses garotos se tornam desses pitboys que vão arranjar briga em festinhas e que espancam gays, negros e nordestinos sem motivo. Outros se tornam fanáticos por armamentos, como o filho de médicos de Santo André que outro dia fez tiro ao alvo nas crianças que brincavam na praça em frente ao seu prédio.

A lavagem cerebral que nos condiciona para a violência está na TV, no cinema. E se reflete no trânsito, no esporte e nas escolas, onde alunas se matam pelo namorado e professores são agredidos por estudantes com a ajuda dos próprios pais.

Já que você não conhece o seu filho, pergunte aos professores das escolas públicas e particulares como anda a cabeça das nossas crianças. Vai se arrepiar.

É óbvio que os defensores da liberdade vão dizer que essas aberrações não têm nada a ver com esses jogos eletrônicos que sublimam a violência e a agressividade. Virão com suas estatísticas a mostrar que a maioria desses garotos que vivem enfurnados no quarto diante de seus computadores se torna cidadão de bem.

Realmente, não há como proibir a venda de games violentos. Como não há como proibir as drogas. Quem quiser vai arranjar, de um jeito ou de outro. É proibido roubar, e aí? Adultério também não pode...

Além do mais "proibir" virou o maior palavrão da língua portuguesa.

Os games continuarão a ser vendidos, tanto nos EUA como aqui. E as crianças cultuarão cada vez mais a violência em vez da fraternidade.

E quem vai ousar ir contra a liberdade que temos de criar uma geração insensível?

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